Comer com mindfulness” consiste numa prática focada no cultivar da “consciência do momento” durante as refeições. As crianças são convidadas a “prestar atenção” à comida com atenção plena, construindo-se uma consciência sobre alguns sinais físicos, tais como fome e saciedade.

Mindfulness e alimentação consciente

Os nossos cérebros estão programados para que os centros de prazer se ativem quando comemos, como um mecanismo que assegura a sobrevivência.

No mesmo sentido, uma das experiências mais aversivas que podemos ter é experienciar fome. É muito difícil direcionar a atenção para algo que não seja comida quando sentimos fome. Por outro lado, após comermos muito parece que a nossa energia se centra toda no processo da digestão, fazendo com que a nossa atenção diminua e se torne letárgica.

Assim, é importante ver que existe uma ligação direta entre um nível ideal de satisfação com a comida e a qualidade da nossa atenção.

Existe uma lição de mindfulness fundamental que pode aprender-se através da comida: aprender a desfrutar das sensações associadas ao sabor de um alimento com uma atitude de curiosidade e descoberta, em vez de nos instalarmos no juízo automático que nos leva imediatamente a dizer “gosto”, ou “não gosto”.

Podemos apreciar o efeito benéfico da comida ou agradecer tudo o que sucedeu para que pudéssemos usufruir da experiência alimentar, exercitando um certo desapego relativamente à elaboração de um juízo sobre a comida.

Comer com atenção plena

Aplicar mindfulness à alimentação pressupõe a orientação de uma atenção amável, plena de gratidão, para toda e qualquer atividade que forma parte do processo da nossa alimentação.

Ensinar às crianças novas formas de olhar e pensar sobre os alimentos repercute-se de forma positiva na sua alimentação. Consequentemente, esta torna-se mais consciente e saudável.

Ao comer com atenção plena, a criança aprende a respeitar a comida e consegue discernir sobre quais as melhores opções, ou seja, entende quais os alimentos que estão carregados de ingredientes artificiais e quais são orgânicos.  

“Comer com mindfulness ensina as crianças a conectarem-se com os seus sinais corporais e a comer de forma intuitiva”, refere Kelsey Latimer, psicóloga especialista em disfunção alimentar.

O poder dos alimentos na concentração das crianças

Para potenciar a capacidade de raciocínio, a memória e a concentração do seu filho, a forma como ele se alimenta é determinante. Afinal, e tal como já dizia o velho ditado, “somos aquilo que comemos”.

Alimentos importantes para o cérebro da criança

O cérebro é, literalmente, feito de nutrientes. Como tal, há alimentos que interferem positivamente no desenvolvimento intelectual das crianças. Apostar em:

01. Ómega-3 e gorduras presentes nos peixes gordos 

Os ácidos gordos ómega-3 influenciam a capacidade de concentração e de aprendizagem das crianças, e os peixes gordos são uma boa fonte de zinco e selénio que estimulam a atividade cerebral, impedindo que se instale o cansaço. 

Muitos estudos sugerem que as crianças não ingerem ácidos gordos polinsaturados em quantidades suficientes. No entanto, as recomendações dizem-nos que devem ingerir peixe gordo, pelo menos, duas vezes por semana. Algumas opções: salmão e sardinha.

02. Frutos secos e sementes

Os frutos secos apresentam um perfil de ácidos gordos que, além de serem muito saudáveis, melhoram as funções de concentração.

Também contêm triptofano, um aminoácido muito importante que ajuda a manter os níveis de atenção e concentração. As crianças com deficiência deste aminoácido, tendem a ser mais desatentas e dificuldade em manter o foco num assunto durante muito tempo. 

A partir dos 4 anos de idade, recomenda-se a ingestão de 15 gramas por dia de frutos secos, como por exemplo, nozes, amêndoas, avelãs, amendoins ou pinhões e sementes, como: linhaça, sésamo, abóbora, girassol e cânhamo.

03. Vitaminas do grupo B

Alimentos ricos em colina e acetilcolina melhoram a sinapse nervosa e o trabalho dos neurotransmissores, o que ajuda na concentração.

Encontram-se nas verduras, no feijão, na fruta fresca e também nos frutos secos e nas sementes. O ovo é também uma boa fonte de vitaminas do complexo B que facilitam a comunicação entre os neurónios e ácidos gordos ómega-3 que ajuda a melhorar a capacidade de concentração.

04. Frutas e legumes

As crianças consomem cada vez menos quantidades de frutas e legumes, o que não só está relacionado com o crescente número de crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade, mas também tem ligação com a falta de atenção e concentração presente nos mais novos.

Não devemos esquecer a importância que as frutas e os legumes têm para a saúde do corpo e do cérebro. Os vegetais ajudam a melhorar a capacidade de concentração e de aprendizagem. Deve-se incentivar o consumo destes alimentos desde cedo, para ajudar no crescimento e desenvolvimento saudável.

Uma criança deve consumir, diariamente, 3 peças de fruta e ainda 4 porções de legumes.

Alimentos prejudiciais

Quando as crianças ingerem demasiados alimentos refinados, destituídos de nutrientes, como gorduras ou fritos, podem estar a perder qualidades. Os seus cérebros tornam-se mais compactos porque deixa de haver espaço suficiente para as trocas elétricas do cérebro.

Vários estudos demonstraram que as crianças que ingerem maior quantidade de açúcar apresentam níveis de inteligência mais baixos e comportamentos mais violentos e desviantes. Considerado o “veneno dos tempos modernos”, o açúcar possui efeitos altamente nocivos para a saúde das crianças.

A importância do pequeno-almoço

Os pequenos almoços são, de facto, uma refeição fundamental para todos, mas especialmente para as crianças e jovens. Começar o dia com comida saudável e nutritiva ajuda à melhoria da concentração, do humor e dá energia.

Pequeno-almoço completo para as crianças

As crianças gastam e têm muita energia pelo que o seu pequeno-almoço deve ser rico em:

» Hidratos de carbono de absorção lenta – que lhes garante uma reserva energética de qualidade até ao almoço;

» Fruta – que é altamente nutritiva e ajuda a despertar;

» Sabor – sim, o sabor é fundamental para que o pequeno almoço seja um prazer;

» Sementes – em pouca quantidade, são muito importantes para um pequeno-almoço saudável;

» Proteína – ajuda a saciar e a tornar o pequeno-almoço mais rico (as sementes são uma ótima fonte de proteína)

O ideal é preparar receitas saudáveis para o pequeno-almoço das crianças, tornando-o atrativo e variado.