O AVC é a doença neurológica mais comum na população mundial. Dados disponibilizados pela Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) referem que os acidentes vasculares cerebrais são a principal causa de morte em Portugal. Apesar de ser considerada uma doença ligada ao envelhecimento, há cada vez mais casos de jovens que sofrem ou morrem com um AVC.

O que é um AVC?

Segundo Garcia et al. (2010) “Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um conceito utilizado para apontar uma incapacidade neurológica, podendo ser temporária ou permanente, numa ou mais áreas do encéfalo, secundário a uma lesão vascular, causada por uma interrupção do fluxo sanguíneo ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo que irriga o cérebro”.

O cérebro é totalmente responsável pela inteligência, personalidade, humor e pelas características que nos individualizam e levam os nossos semelhantes a reconhecerem-nos como humanos. A perda da função cerebral pode ser desumanizante, tornando-nos dependentes de outros. Caplan (2009)

Muitos dos doentes que sobrevivem ao AVC ficam com sequelas de ordem física, sensorial e cognitiva.

Fatores de risco para o AVC

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o AVC é uma doença de causa multifatorial, isto é, resulta da combinação de fatores de risco que influenciam a probabilidade de uma pessoa vir a ter um AVC.

Os fatores de Risco Não Modificáveis são:
» Idade
» Género
» Hereditariedade

Quanto aos fatores de Risco Modificáveis, destacam-se:
» Hipertensão Arterial
» Tabagismo
» Hipercolesterolémia
» Patologia cardíaca
» Diabetes Mellitus
» Álcool
» Obesidade
» Sedentarismo

Benefícios da Hidroterapia nos portadores de AVC

As propriedades terapêuticas da água podem ajudar na recuperação de sequelas existentes nas pessoas que sofreram AVC, melhorando significativamente a sua qualidade de vida.

De todas as formas de tratamento pós-AVC, destaca-se a Fisioterapia Aquática, conhecida como Hidroterapia. Com origem nas palavras gregas hydro = água e therapéia = tratamento, tem sido considerada uma forma alternativa de tratamento para portadores de deficiência física, incluindo aqueles com doenças neurológicas.

É uma técnica que oferece benefícios que vão muito além da reabilitação física.

1. Aumenta a capacidade cardiovascular

Ao recuperar de um acidente vascular cerebral, manter uma alta qualidade de vida pode ser um desafio. Muitas pessoas em recuperação não conseguem exercitar-se em meio terrestre devido a problemas de equilíbrio ou força, no entanto, o meio aquático permite que estas pessoas consigam exercitar-se com mais eficiência e sem riscos de queda.

Além disso, os suaves exercícios cardiovasculares realizados em hidroterapia fortalecem o coração e os pulmões, o que aumenta a capacidade geral de resistência e cardio, facilitando atividades como caminhar percursos maiores ou subir escadas sem cansaço excessivo.

2. Melhora a autoconfiança

Muitos sobreviventes de AVC sentem-se frustrados e inseguros, porque o seu corpo não consegue responder às suas instruções mentais. Desta forma, a hidroterapia pode gerar um enorme impulso de otimismo, dado que trabalhar no meio aquático reduz o peso do corpo e permite mais mobilidade, ajudando as pessoas a sentirem-se mais capazes e independentes novamente, visto que conseguem realizar atividades novamente, como, por exemplo, estar de pé ou fazer uma caminhada.

3. Diminui o stress

A hidroterapia não é usada apenas como uma forma de exercício, é igualmente usada como um método de relaxamento, dado que temperatura da água e as técnicas de relaxamento utilizadas pelo profissional de saúde, como o Watsu, promovem o relaxamento e bem-estar geral do utente.

“Sabemos que o stress é um dos grandes fatores de risco para a ocorrência de um AVC, assim como para quem já o tem, pois a nova realidade do seu estado é, por si só, geradora de grande nível de stress (não conseguir caminhar, comer ou realizar as suas atividades do quotidiano de forma independente)”, refere Tânia Valente, fisioterapeuta no HMC Sports. Como tal, trabalhar a sua redução é imprescindível para uma melhor recuperação pois se o stress não reduzir, combinado com outros fatores de risco como hipertensão ou diabetes, pode originar novo episódio de AVC.

4. Aumenta a força muscular

O exercício na água pode parecer fácil, mas mesmo os movimentos mais simples exigem que as pessoas empurrem a água ao seu redor e essa resistência constante torna a hidroterapia um treino mais intenso e também uma ótima maneira de aumentar a força muscular.

5. Aumenta a mobilidade

Esta terapia aperfeiçoa o uso de músculos e articulações, dado que reduzimos as dores, a espasticidade e outros factores, para que possam ter uma maior amplitude de movimento. A hidroterapia é ideal para pessoas que têm dificuldade em movimentar-se sozinhas e desejam poder executar tarefas simples do dia-a-dia de forma independente.

Em suma, a Hidroterapia proporciona benefícios importantes à pessoa com sequela de AVC, destacando-se o retorno mais rápido para as suas atividades do quotidiano, a maior capacidade funcional, a aptidão cardíaca e a socialização. Tânia Valente salienta que “a Hidroterapia não substitui a fisioterapia convencional, mas funciona como um excelente complemento desta na recuperação e na melhoria da qualidade de vida do utente”.

A avaliação clínica é fundamental, por permitir analisar todo o histórico clínico e avaliar as necessidades e objetivos do utente e traçar, desta forma, o melhor plano de tratamento.

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Referências Bibliográficas:
ARAÚJO. L.M.; BONORA. L.J.; RIBEIRO. S. J.; GARCIA. V.S.; SILVA. M.S. Efeitos da terapia aquática no tratamento da espasticidade em pacientes com acidente vascular cerebral.