A higiene postural é essencial para aumentar o bem-estar e diminuir as dores causadas por más posturas diárias. Grande parte das alterações na coluna são efeito de uma postura incorreta ao longo da nossa infância, adolescência e vida adulta. As boas práticas posturais devem ser transmitidas desde cedo, de modo a não comprometer as estruturas corporais e o seu bom funcionamento.

Más posturas na infância: como reeducar?

Nos dias de hoje, as crianças passam longos períodos sentadas, não só na escola como também em atividades de lazer, caracterizadas por uma vincada passividade como passar horas a ver televisão, manusear brinquedos que requerem pouca (ou quase nenhuma) atividade física e a utilização cada vez mais precoce das novas tecnologias.

A postura estática, associada a um posicionamento incorreto, causa alterações do sistema músculo-esquelético, especialmente na coluna vertebral. Com isso, as crianças desenvolvem retrações musculares e sofrem alterações posturais significativas. Consequentemente, as más posturas, quando mantidas por longos períodos de tempo, podem provocar desconforto, episódios de dor, dificuldade de concentração, fadiga ou cefaleia tensional (um tipo de dor de cabeça causada pelo excesso de tensão nos músculos do pescoço e da cabeça), alterações da acuidade visual, etc.

Quando a dor é sinal de alerta

Os problemas físicos que têm início na fase de crescimento, constituem um fator de risco para disfunções da coluna vertebral sendo que estes são, na sua maioria, irreversíveis na fase adulta, e com tendência a agravar nessa fase.

A dor é o principal sinal de alerta e pode originar-se nos seguintes casos:

  • Assimetrias no corpo (altura dos ombros, diferença do ângulo da cintura, entre outros);
  • Quedas frequentes;
  • Rotação dos joelhos;
  • Anteriorização da cabeça e dos ombros;
  • Alterações no alinhamento dos pés

Estar atento aos sinais de alerta, possibilita agir preventivamente, promovendo hábitos e técnicas de reeducação postural. Com isso, é possível evitar a evolução para patologias crónicas – tendo em conta que, nesta fase, o corpo é mais flexível, a coluna tem maior mobilidade. Dessa forma, é mais fácil conseguir obter bons resultados e melhor prognóstico quanto à eficácia dos tratamentos.

Como prevenir problemas posturais?

A redução do nível de atividade física, atividades de lazer sedentárias, obesidade, mochilas com excesso de peso, posturas erradas na cadeira da escola ou o aumento do uso de aparelhos eletrónicos, são alguns dos fatores que comprometem uma coluna vertebral saudável. É importante transmitir às crianças que não devem sobrecarregar a coluna e ensinar-lhes hábitos de postura saudável.

01. Praticar atividade física com regularidade é fundamental para manter o corpo em movimento, exercitando músculos e articulações que promovem o reforço e o realinhamento postural.

02. Evitar o uso e abuso de telemóveis, tablets e computadores, pois resultam em posturas erradas do pescoço;

03. Reduzir o peso na mochila, sendo que este não deve passar os 10% do peso corporal das crianças, mas, em muitos casos, este valor continua a ser largamente ultrapassado;

04. Incentivar a criança a assumir uma postura correta enquanto estuda.

Atenção redobrada ao peso da mochila

O peso excessivo das mochilas é um motivo de preocupação para os pais. As crianças não devem carregar às costas mais do que 10% do seu peso corporal, um limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). «O material escolar deve ser distribuído e organizado na mochila, de maneira a que os livros mais pesados fiquem encostados à coluna», acrescenta Patrícia Alves, fisioterapeuta do HMC Sports.

Esta tabela apresenta alguns valores de referência tendo em conta o percentil médio para avaliar o peso da mochila.

Peso da mochila

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Estudos comprovam que, com as alças da mochila devidamente ajustadas e diminuição do peso das mochilas, ocorrem mudanças consideráveis nas anormalidades da postura corporal, principalmente nos parâmetros de rotação.

Em suma, usar, repetidamente, uma mochila demasiado pesada numa idade precoce pode contribuir para o aparecimento de dores, particularmente ao nível dos ombros, do pescoço e da região lombar. Como consequência, pode levar a alterações de postura.

As melhores atividades para prevenir más posturas

Nesta fase, cabe aos pais encorajar os filhos a experimentarem diferentes atividades extracurriculares. Preferencialmente, «deverão ser privilegiados exercícios de coordenação motora, de equilíbrio e a prática de movimentos que estimulem a mobilidade, áreas e regiões do corpo que podem estar bloqueadas», explica Patrícia Alves.

A natação é uma modalidade muito completa, pois promove um crescimento e desenvolvimento muscular harmonioso. As atividades de vertente terapêutica, especialmente orientadas para a reeducação postural, como a Ginástica Postural Juvenil, são também aconselhadas na prevenção ou melhoria de alterações posturais já evidentes como escoliose, hiperlordose e hipercifoses.

O Yoga Kids e o Ballet trabalham muito bem os movimentos posturais e os alongamentos. Além destas, as Artes Marciais e as Danças são práticas saudáveis que ao estimularem diferentes músculos, também promovem a melhoria da condição postural.

Para cenários mais crónicos e agudos de algumas patologias, como escolioses, lordoses e cifoses, as sessões de RPG  (Reeducação Postural Global), são extremamente eficazes e com ótimos resultados, podendo, em muitos dos casos, juntamente com outras atividades, reverter a necessidade de uma intervenção cirúrgica.

Aprender a avaliar a coluna do seu filho

Os benefícios de detetar eventuais alterações na postura, são naturalmente evidentes. Assim, é fundamental observar e avaliar com alguma regularidade o estado da coluna do(s) seu(s) filho(s).

Segundo a fisioterapeuta, «após o banho, podem pedir-lhes que juntem os pés para, assim, observá-los de costas e avaliar a orientação do pescoço, dos ombros, simetria das omoplatas, a cintura, os joelhos e os calcanhares». Quando existirem dúvidas, é recomendada consulta de um especialista Ortopedista ou Fisioterapeuta.